Investigação e Estatística Planeamento da Recolha e Análise de Dados


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Dados retidos


A análise dos dados, depois de colhidos, é genericamente efectuada segundo 4 fases:

  • 1- Verificar e corrigir os erros de preenchimento que sempre se cometem na introdução dos dados (para isto é conveniente ver a base de dados em matriz, ou seja, listando todos os valores de uma ou mais variáveis numa tabela; no EpiInfo um bom método será clicar em LIST na secção ANALYSIS e seleccionar "update" para fazer as correcções).

Os erros na colheita e transcrição dos dados para as fichas e o computador traduzem-se em viéses de informação.


  • 2- Efectuar a análise univariada: cada variável é estudada isoladamente e de forma descritiva (frequências, medianas, médias, etc.).

  • 3- Efectuar a análise bivariada: estuda-se a possibilidade de existir algum tipo de relação entre uma variável de exposição e uma variável resposta (Qui-quadrado, Kruskall-Wallis, ANOVA, etc.).

  • 4- Efectuar a análise multivariada: estuda-se o efeito das variáveis interferentes na relação entre as variáveis de exposição e as de resultado (análise estratificada, emparelhamento das amostras, regressão linear ou logística multivariada, etc.)....
...
a) Quais são as perguntas que o investigador propõe?
Clarifique estas perguntas que quer ver respondidas pelo estudo. Não seja vago. Formule poucas perguntas e restrinja o mais possível os objectivos do seu estudo, caso contrário arrisca-se a sentir-se completamente perdido quando começar o seu trabalho de campo. Quanto menos objectivos um estudo tiver, maiores serão as suas probabilidades de êxito.
Por outro lado, um outro óbice importante em estudos com muitos objectivos é que poderão ser necessários desenhos diferentes de estudo e amostras com dimensões diferentes para os diferentes objectivos, o que complica muito a sua condução.


b) Qual a investigabilidade do problema?
É necessário verificar se existem tabus ou outros obstáculos culturais ou políticos que impossibilitem a investigação. Existem ainda questões éticas relativamente à possibilidade de colher alguns dados privados. Alguns estudos experimentais como por exemplo, os ensaios terapêuticos, têm também de seguir normas éticas muito estritas, atendendo à perigosidade para a saúde dos indivíduos que neles participam.


c) É pertinente gastar recursos para tentar conseguir respostas a tais perguntas?
É evidente que devemos ter imediatamente o pragmatismo necessário para identificar as perguntas que estão muito para além das nossas possibilidades e recursos. Por outro lado, há aqui também uma questão ética. Mesmo que hajam recursos para investigar um problema, caso este seja menos pertinente que outros problemas existentes, não será ético gastar os recursos nesta investigação, pois isto irá anular a oportunidade de investigar o assunto realmente pertinente. Isto é uma consideração ética importante quando se tem dinheiro para investigar um assunto particular...


d) O que é que já se sabe ou foi publicado sobre o assunto?
Trata-se de fazer o enquadramento teórico ou definição conceptual do problema, ou seja, definir o que se sabe de universal sobre o assunto. Repare que aqui é necessário fazer uma revisão bibliográfica sobre o tema, onde poderemos descobrir que outros já encontraram resposta para algumas das nossas perguntas....
Esta definição conceptual do problema permite também identificar as variáveis que deveremos controlar para não confundirem as nossas conclusões.

e) Quais são as hipóteses a comprovar?
A enunciação de hipóteses só poderá acontecer se nós tivermos já uma descrição das características do problema. Por exemplo, se estiver descrito que a frequência de uma determinada doença é diferente em duas populações, poderemos formular a hipótese de que essa diferença está associada a uma diferença de um determinado factor de risco entre as duas populações.
Quando falamos em hipóteses estamos a falar de perguntas sobre a relação entre variáveis, para as quais nós vamos tentar encontrar respostas concretas, através da observação planeada dos factos (no caso anterior, a pergunta poderia ser formulada da seguinte forma: está a variável "doença" associada à variável "factor de risco"?)
Repare-se que as hipóteses são apenas fundamentais em estudos analíticos ou experimentais. Um estudo descritivo não necessita de hipóteses: basta-lhe descrever as características do fenómeno....


...Na hora de interpretar os resultados, podemos classificar todas as possibilidades de erro da seguinte forma:

1- Erros Aleatórios relacionados com o processo de selecção aleatória de amostragem e que as provas estatísticas medem quando nos informam da probabilidade de os nossos resultados representarem o que sucede realmente na população. Para diminuir estes erros será necessário aumentar a dimensão da amostra até um limite razoável, de acordo com os nossos recursos. ..

2- Erros Sistemáticos, ou viés,...

Como Realizar uma Entrevista
Entrevista passo-a-passo
http://www.prof2000.pt/users/folhalcino/ideias/comunica/entrevista.htm

Dados retidos


Etapas na elaboração do guião de entrevista
  • 1. Descrição do perfil do entrevistado (nível etário, escolaridade, nível socio-cultural, personalidade,...);
  • 2. Selecção da população e da amostra de indivíduos a entrevistar;
  • 3. Definição do propósito da entrevista (tema, objectivos e dimensões);
  • 4. Estabelecimento do meio de comunicação (oral, escrito, telefone, e-mail, …), do espaço (sala, jardim, …) e do momento (manhã, duração, …);
  • 5. Discriminação dos itens ou características para o guião;
  • 5.1. Elaborar perguntas dos itens, de acordo com o definido nos pontos anteriores;
  • 5.2. Considerar as expectativas do entrevistador;
  • 5.3. Considerar as possíveis expectativas dos leitores/ouvintes;
  • 5.4. Formular perguntas abertas (O que pensa de...?) e fechadas (Gosta de...?);
  • 5.5. Evitar influenciar as respostas;
  • 5.6. Apontar alternativas para eventuais fugas à pergunta;
  • 5.7. Estabelecer o número de perguntas e proceder à sua ordenação, dentro de cada dimensão;
  • 5.8. Adequar as perguntas ao entrevistado, seleccionando um vocabulário claro, acessível e rigoroso (sintaxe e semântica);
  • 6. Produção do guião com boa apresentação gráfica;
  • 6.1. Redigir o cabeçalho com identificação (instituição, proponentes, título, data)
  • 6.2. Incluir uma apresentação sucinta da entrevista, incluindo os objectivos;
  • 6.3. Alinhar as perguntas na vertical e com espaçamento ajustado;
  • 6.4. Utilizar tipo de letra legível, parágrafo justificado, margens da página com 2 cm e, eventualmente, imagens à direita do texto;
  • 7. Validação da entrevista pela análise e crítica de personalidades relevantes.
...
Procedimentos durante a entrevista
  • 1. Início com explicação da entrevista;

  • 1.1. Esclarecimento do que pretende o entrevistador e do objectivo da entrevista;

  • 1.2. Assegurar a confidencialidade do entrevistado e das suas respostas;

  • 1.3. Ressaltar a necessidade da colaboração do entrevistado, sem tolhimento de qualquer ordem;

  • 2. Criação de um ambiente agradável para a realização da entrevista;

  • 2.1. Verificar que o espaço/local da entrevista favorece a descontracção do entrevistado (temperatura, luz, móveis, …);

  • 2.2. Manter uma distância audível entre o entrevistado e o entrevistador (1 a 2 metros);

  • 2.3. Em casos de entrevista a um grupo, pode ser vantajoso subdividi-los em pequenos grupos;

  • 2.4. Verificar se existem condições de privacidade do entrevistado;

  • 2.5. Permitir que o entrevistado mantenha o controle da entrevista;

  • 3. Favorecimento das respostas pertencentes ao entrevistado

  • 3.1. Mostrar compreensão e simpatia pelo entrevistado;

  • 3.2. Usar um tom informal, de conversa, mais do que de entrevista formal;

  • 3.3. Apresentar a questão oralmente e por escrito (combinar as duas linguagens!);

  • 3.4. Começar com questões fáceis de responder (para pôr o entrevistado à vontade);

  • 3.5. Pedir ao entrevistado para dizer em voz alta o que está a pensar, o que pensou em fazer, se está com alguma dificuldade na resposta, …;

  • 3.6. Evitar influenciar as respostas pela entoação ou destaque oral de palavras;

  • 3.7. Pedir exemplos de situações, de pessoas ou de objectos que o auxiliem a exprimir-se;

  • 3.8. Apresentar uma questão de cada vez;

  • 3.9. Entrevistador explicita aceitação pelas opiniões do entrevistado (entrevista diferente de exame);

  • 4. Registo de tudo o que o entrevistado diz!

  • 4.1. Previamente, verificar suportes de registos (papel, fita, pilhas, captação do som, …);

  • 4.2. Antes de iniciar a entrevista, pedir autorização ao entrevistado para fazer a gravação;

  • 4.3. Registar com as mesmas palavras do entrevistado, evitando resumi-las;

  • 4.4. Anotar, se possível, gestos e expressões do entrevistado;

  • 5. Gestão do tempo de conversação;
  • 5.1. Demorar até 25 minutos (?);
  • 5.2. Parar antes do tempo previsto se o ambiente se tornar demasiado constrangedor;
  • 6. Término da entrevista como começou, num ambiente de cordialidade para que o entrevistador possa voltar (se necessário) e obter novos dados....

Métodos de recolha de dados

Entrevistas

  • 1. decidir o que se pretende
  • 2. perguntar o que é necessário
  • 3. será a entrevista a melhor forma de recolha de informação
  • 4. delinear esquema de questões
  • 5. tipo de entrevista
  • 6. refinar as questões
  • 7. considerar posterior análise das respostas
  • 8. elaborar guião
  • 9. teste do esquema
  • 10. revisão do esquema se necessário
  • 11. evitar parcialidade
  • 12. selecção de entrevistados
  • 13. marcação da entrevista (dia/hora)
  • 14. requerer autorização hierárquica
  • 15. perante o entrevistado indicar-lhe o objectivo da mesma
  • 16. atenção ao tempo previsto
  • 17. verificar exactidão de dados com o entrevistado
  • 18. caso opte por gravação, requerer permissão
  • 19. seja honesto
  • 20. use bom-senso
  • 21. cumpra o que combina